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Percepção de Risco

O conceito de percepção pode ser bastante complexo, pois influi em questões intrínsecas que formam cada indivíduo humano, de maneira única. O ato de perceber, ou seja, de tomar consciência é o primeiro passo do processo cognitivo e é a capacidade de interpretar as sensações e transforma-las em informações. As sensações, cuja função é receber estímulos de meio externo captado por algum de nossos cinco sentidos (olfato, tato, audição, visão e gustação) e codificar em sinais neurais. Então se pode afirmar que um indivíduo que apresente alguma deficiência sensorial terá menor percepção que pode levar a um risco maior em determinadas situações como, por exemplo, um deficiente olfativo que não sentirá o odor característico de um vazamento de gás de cozinha, visto que este não contém cor visível aos olhos humanos. A percepção, além de estar ligada a fatores cognitivos e fisiológicos está relacionada às crenças de cada um. Por isso é tão difícil avaliar a percepção de risco de trabalhadores em diferentes ramos de negócio e sem dúvida é um desafio para os gestores e líderes que gerenciam os riscos nas empresas.

Com o advento da revolução industrial e a introdução da tecnologia e modernidade, o ser humano virou uma espécie de robô, sem pensar muitas vezes de maneira critica e criativa como vimos no filme “Tempos Modernos” com o encantador Charlie Chaplin. Em nossos locais de trabalho, muitas vezes apertamos o modo automático, aniquilando nossa percepção e a atividade se torna repetitiva e exaustiva que por algum descuido, em determinadas funções, pode ocasionar graves acidentes.

Portanto, é imprescindível que o trabalhador perceba os riscos associados às suas atividades, isto é, tenha a capacidade de identificar os perigos e reconhecer os riscos. Para isso é preciso que ele pense e aja de maneira proativa, formando assim o tanto falado comportamento seguro.

Mas não é simples como parece, senão não existiriam tantos acidentes de trabalhos acontecendo no mundo. Dentro do campo de percepção de risco, percebe-se que há ruídos de comunicação, e não são interferências sonoras não. É que cada pessoa interpreta uma informação de acordo com diversos fatores que podem levar a distorções. Segundo Larkin e Larkin (2007 apud Silva e França, 2011), somente 4% das pessoas conseguem entender uma simples comunicação de segurança, isso acontece por causa da baixa qualidade dessas comunicações. De acordo com Robbins, Judge e Sobral (2011, p. 342-344 apud May, Ramos e Dietrich, 2015), a filtragem, percepção seletiva, o excesso de informações, as emoções, a cultura, gênero, idioma e também o medo da comunicação interferem diretamente na forma de decodificação das mensagens e no processo de discernimento do contexto da mensagem. Por isso essa comunicação deve ser clara e bem estudada, com linguagem diferenciada de acordo com o grupo dentro da empresa. De nada serve um treinamento sem o entendimento pleno dos participantes, sem o engajamento de todos. Como disse Paulo Freire, um educador Brasileiro: “A Educação qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática”. A educação adquirida em um treinamento sobre segurança tem que fazer parte da cultura organizacional, deve ser posta diariamente na prática, e não ficar somente na teoria.

Bibliografia:

DIETRICH, M.; RAMOS, M. C. L.E; MAY, P. Influência das Tecnologias de Informação e Comunicação nas Instituições de Ensino Superior e Organizações. XV Colóquio Internacional de Gestão Universitária. 12 de Abril de 2015.

Da Silva, B. F. & França, S. L. B. Análise da Percepção do Trabalhador Sobre os Riscos no Ambiente de Trabalho: Estudo de Caso em uma Unidade de Operação de Empresa de Energia Brasileira. VII CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 12 e 13 de agosto de 2011. Anais

 

Jeniffer Felicio Abegao

Engenheira Ambiental e pós-graduanda em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo Centro Universitário FEI São Paulo.