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Um Perigo Silencioso

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Fonte: IdeiaWeb.org

Outro dia ouvi um comentário de meu professor que o cantor Leandro (da dupla Leandro e Leonardo) morreu de tumor devido exposição direta com o uso intensivo de agrotóxicos na plantação de tomates em que trabalhava quando adolescente. Isso se chama efeito mediato, ou seja, os efeitos são manifestados depois de muito tempo de contato. Por esse motivo que titulei este artigo de “Um Perigo Silencioso“, um tema importante que merece destaque, porque afinal agrotóxico é um produto que está presente na maioria de nossas refeições (70% dos alimentos).

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Para ter uma ideia da dimensão, o consumo de agrotóxicos no Rio de Janeiro aumentou 5.000% em três anos (FIOCRUZ). O grande problema nessa questão, além do uso indiscriminado e sem controle, são os ingredientes usados na aplicação, dos quais 55 mais utilizados no Brasil, 22 são proibidos na União Europeia. Há um tipo de herbicida largamente usado nas lavouras de soja, chamado Glifosato que foi estudado por uma pesquisadora norte-americana do MIT. Esse estudo revelou que até 2025, uma a cada duas crianças nascerá autista (El País).

Os agricultores são os mais vulneráveis quando se fala em agrotóxicos, pois eles estão expostos diretamente com os produtos. Conforme dados da SINITOX (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – Ministério da Saúde/FIOCRUZ), entre os anos de 1999 a 2009, 1 pessoa a cada 90 minutos foi intoxicada por agrotóxicos no país. Infelizmente, não há um número preciso de notificações em razão da dificuldade dos profissionais de saúde e de atendimento assistencial e psicossocial não sabem ou não conseguem lidar com situações de intoxicação ocupacional. (Claudio Silva para FioCruz).

Esse cenário é agravado pela falta de percepção de riscos pelo trabalhador no uso de agrotóxicos em que muitas vezes são chamados caridosamente como defensivo agrícola, remédio, tratamento, etc. Nota-se também que há certo machismo nessa área, trabalhadores são chamados de fracos quando sentem algum desconforto na hora da aplicação (dores de cabeça, vômitos..). Quando o risco é “invisível” aos olhos, a percepção fica ainda mais fragilizada. Por exemplo, o uso de roupas de trabalho ou EPIs (equipamentos de proteção individuais) também parece estar bastante relacionado à percepção do risco e pode chegar a ser incorporado por hábito cultural para enfrentar riscos cotidianos (ex. uso do chapéu para proteger-se do sol). Quando o risco é fácil e prontamente perceptível, roupas especiais de trabalho são facilmente usadas como é o caso dos vaqueiros, que chegam a utilizar calças bem grossas mais montar (GARCIA, E.).

A NR-31 (Segurança e Saúde no trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura) veio assegurar a saúde e segurança do trabalhador no meio rural. No item 31.3.3 cita as obrigações do empregador rural. Dentre as mais importantes, temos:

a) realizar avaliações dos riscos para a segurança e a saúde dos trabalhadores e, com base nos resultados obtidos, adotar as medidas de prevenção e proteção adequadas;

b) assegurar que sejam fornecidas aos trabalhadores instruções compreensíveis em matéria de segurança e saúde, bem como toda orientação e supervisão necessárias ao trabalho seguro;

d) adotar medidas de avaliação e gestão dos riscos, com a seguinte ordem de prioridade: eliminação dos riscos, controle de riscos na fonte, redução do risco ao mínimo, inclusive através de capacitação;

e) adoção de medidas de proteção pessoal, no caso de persistirem os riscos.

Nesta norma regulamentadora, fica claro a preocupação com a eliminação dos riscos como sendo prioridade, não só com a utilização do EPI, mas também em relação à ergonomia, fatores climáticos e topográficos e água potável.

Sobre a utilização dos EPIs, um artigo da revista Cipa (ano 38, n. 438) afirma que a utilização desses equipamentos pelos trabalhadores expostos a agrotóxicos é muito efetiva nas médias e grandes propriedades agrícolas, porém é um grande desafio em pequenas propriedades, pois se limita às condições financeiras e à falta de informação.

Nesta mesma norma, foi estipulado o SESTR (serviço especializado em segurança e saúde no trabalho rural) para os empregadores com mais de 50 funcionários, não atingindo o pequeno agricultor.

Outra questão é sobre a receita agronômica, no qual é obrigatória na compra de agrotóxicos e é feita por profissional legalmente habilitado. Nela, o profissional agrônomo faz prescrição com as recomendações de uso de EPI, porém não está em acordo com suas atribuições.

Por fim, minha mensagem a nós consumidores é que fiquemos mais atentos aos efeitos acumulativos dos alimentos contendo agrotóxicos; aos governantes e ministérios do trabalho, saúde e agricultura que fiscalizem mais as propriedades agrícolas, cobrem os produtores pela administração correta e segura desses produtos, assegure a segurança dos trabalhadores e não dê incentivos fiscais à produção e comercialização de pesticidas; empregadores zelem pela segurança e saúde de seus trabalhadores, eles merecem ter uma vida sadia e digna.

Recomendo assistir ao documentário “O Veneno está na mesa II” dirigido por Silvio Tendler. Esse documentário atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional atual e de suas consequências para a saúde pública. LINK: https://www.youtube.com/watch?v=fyvoKljtvG4

Referências:

GUIVANT, J.S. Percepção dos Olericutores da Grande Florianópolis (SC) sobre os riscos decorrentes do uso de agrotóxicos. Rev. Bras. Saúde Ocup. 22, 1994.

http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/o-desafio-de-se-comprovar-na-justica-intoxicacao-por-agrotoxicos

http://www.cartacapital.com.br/sustentabilidade/brasil-ainda-usa-agrotoxicos-ja-proibidos-em-outros-paises-9823.html

BRASIL. Ministério da Saúde. FIOCRUZ. SINITOX. http://www.fiocruz.br/sinitox_novo/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home

http://www.icict.fiocruz.br/content/consumo-intensivo-de-agrot%C3%B3xicos-no-rio-de-janeiro-revela-cen%C3%A1rio-de-intoxica%C3%A7%C3%B5es-

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/29/politica/1430321822_851653.html

GARCIA, Eduardo. Segurança e Saúde no Trabalho rural com agrotóxicos. Contribuição para uma abordagem mais abrangente. USP, 1996. Disponível em: file:///C:/Users/NOTEBOOK/Downloads/dissert_agrotox_Eduardo_Garcia.pdf.

NR-31. Disponível em: http://acesso.mte.gov.br/data/files/8A7C816A4295EFDF0143067D95BD746A/NR-31%20(atualizada%202013).pdf.

Engenheira Ambiental e pós-graduanda em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo Centro Universitário FEI São Paulo.

 

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Duas horas faz diferença?

eyes-and-business-10Faz uma semana que foi comemorado o dia do trabalhador e eu não poderia deixar de comentar sobre esse dia tão especial em nossas vidas (é no trabalho que passamos a maior parte do tempo). É o marco de nossas conquistas como trabalhadores, que antes tínhamos uma jornada exaustiva, de 10 a 12 horas diárias, e hoje com 44 horas semanais, temos mais tempo livre para dedicarmos aos nossos hobbies e atividades que dão prazer.

Porém, infelizmente, o Brasil é o quarto país do mundo com mais acidentes de trabalho registrados (Associação de magistrados da justiça do trabalho da primeira região – AMATRA1) só perdendo para a China, Índia e Indonésia.

Hoje quero falar sobre a relação de horas extraordinárias e índice de acidentes de trabalho. Será que quanto mais horas trabalhadas, maior a chance de acontecer um acidente de trabalho? Parece-me um pouco óbvio, entretanto, queria ir mais a fundo e ter dados consistentes e confiáveis para embasar tal argumento.

Um trabalho de Anna Dahlgren da universidade de Estocolmo, na Suécia, relaciona longas horas de trabalho com níveis de stress. Essa alteração psicológica é associada a um aumento da vulnerabilidade de doenças como diabetes e aumento de enfarto do miocárdio. Pode também aumentar a fadiga e diminuir o desempenho no trabalho. Maria José Giannella Cataldi indicou na coletânea do fórum de saúde e segurança no trabalho do estado de Goiás em 2013 que em uma pesquisa recente patrocinada pela ISMA (Internation Stress Management Association), demonstrou que ocupamos o segundo lugar em número de trabalhadores acometidos pela “Síndrome de Burnout“ entre os países Israel, Japão, China, Hong Kong, Fiji e Brasil.

Esses fatores de stress e fadiga provocados pelas longas jornadas podem levar a acidentes de trabalho. Diversos estudos foram feitos para avaliar essa relação, porém muitos continuam incompletos e equívocos. O motivo deve-se pelas deficiências na metodologia, poucas amostras realizadas, generalizações de evidências encontradas na indústria (circunstâncias específicas de cada ramo), e por fim, falhas em contabilizar levando em conta diferentes características dos indivíduos (idade, gênero e status de saúde).

Um estudo conduzido pela Universidade de Massachusetts em 2005, evidenciou o impacto das horas extras e longas jornadas de trabalho em lesões e doenças ocupacionais em 110.236 mil trabalhadores Americanos em 13 anos. Essa pesquisa analisou a associação entre o cronograma da extensão da jornada de trabalho e a incidência de acidentes de trabalho relatados, ajustando a influência das diversas características, como idade, gênero, ocupação, setor da indústria, e região geográfica. Além dessas variações, há também outros fatores do trabalho em si (intensidade e exposição aos perigos) e fatores organizacionais (política de horas extras e supervisão).

Os resultados do estudo mostraram que trabalhadores com horas extras têm 61% mais chance de sofrer um acidente de trabalho do que aqueles que não trabalham mais do que o horário normal. Trabalhadores com cronogramas extensos (maiores de 12 horas por dia e 60 horas por semana) têm maiores chances de desenvolver lesões ou doenças ocupacionais.

Outras análises multivariadas indicaram que o aumento dos riscos não foi apenas o resultado dos exigentes horários de trabalho sendo concentrados e inerentes às atividades de trabalho ou indústria consideradas mais arriscadas.

Estes resultados são mais consistentes com a hipótese que longos períodos de trabalho indiretamente propiciam acidentes no ambiente de trabalho induzidos pela fatiga ou stress dos trabalhadores.

Nossa legislação trabalhista (CLT) determina períodos de descanso no turno (intrajornadas e interjornadas), repousos semanais e anuais que devem ser cumpridas pelos empregadores. A duração normal de trabalho pode ser acrescida de no máximo, 02 horas extras diárias com adicional de remuneração de 50% para os dias úteis e 100% nos domingos e feriados. Na prática, os empregadores abusam desses extras e os empregados contam com isso também, pois precisam desse extra no final do mês.

Além das pausas, é importante o rodízio entre os postos de trabalho para assegurar a saúde dos trabalhadores e minimização dos riscos. Temos que pensar nessas questões para evitar acidentes de trabalho ocorram em nossos ambientes de trabalho e para que comemoremos nosso dia do trabalho com muita alegria!

Referências:

CATALDI, Maria José Giannella. Stress e fadiga mental no âmbito do trabalho. Palestra. In: I Congresso Internacional sobre Saúde Mental no Trabalho. Goiânia: Instituto Goiano de Direito de Direito do Trabalho, 2004. Disponível em: https://www.passeidireto.com/arquivo/6651449/livro-saude-mental-no-trabalho/3

DAHLGREN, Anna. Work Stress and Overtime Work – Effects on Cortisol, Sleep, Sleepiness, and Health. Department of Psychology. Stockholm University. Disponível em: http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:189939/FULLTEXT01.pdfAnna

Agência Brasil. Brasil é quarto no mundo em acidentes de trabalho, alertam juízes. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-e-quarto-do-mundo-em-acidentes-de-trabalho-alertam-juizes

A E DembeJ B Erickson;R G DelbosS M Banks. The impact of overtime and long work hours on occupational injuries and illnesses: new evidence from the United States. Disponível em: http://oem.bmj.com/content/62/9/588.full

Jeniffer Felicio Abegao

Engenheira Ambiental e pós-graduanda em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo Centro Universitário FEI São Paulo.

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Poluição visual: Redes elétricas aéreas

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Olhem para essa imagem (é da Rua Oscar Freire, no bairro Cerqueira César). O que vocês veem de diferente das outras ruas? Olhem atentamente nas calçadas e notem que não existem postes de redes elétricas. Como assim? É porque eles enterraram a fiação (debaixo da terra) em cinco quarteirões da Oscar Freire. Fonte: Google Maps

Como estão, meus brotos?

Sempre que passo perto de fios elétricos na rua, redobro minha atenção. Quantas vezes vocês passaram em uma rua e viram aqueles fios elétricos caídos e expostos no chão? Ou viram aquela arte linda de fios emaranhados que a gente nem entende para que serve? Hoje quero abordar um pouco esse assunto, pois além de poluir visualmente e atrapalhar os pedestres, fios elétricos podem causar acidentes graves e fatais, principalmente em dias de chuva (o Brasil é o país onde existe a maior incidência de raios em todo o mundo). Não é à toa que esse assunto merece destaque em termos de planejamento urbano.

Para entendermos o motivo do super congestionamento de fios que passam pelos postes, é preciso saber quais empresas são responsáveis pela fiação. O poste é propriedade da companhia elétrica que o aluga para outras companhias. Cada poste pode ter até seis pontos para instalação de cabos de comunicação (só que na prática chega a ter quase 20). Esses cabos de comunicação incluem serviços de TV a cabo, internet e telefonia, e também iluminação pública. A cada dois dias, três fios de alta tensão caem em São Paulo, provocando acidentes e até incêndios (vocês se lembram daquele triste episódio que aconteceu na favela em Campo Belo, deixando 2 mil pessoas desabrigadas ano passado? Então, a causa do acidente foi a queda de um fio de alta tensão).

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Quanta confusão!!! Quem se aventura a contar quantos fios tem aí? Haha Fonte: G1

O problema das redes convencionais (maioria em São Paulo) é o fato de que elas possuem pouca blindagem para as descargas atmosféricas (raios), têm baixa confiabilidade e apresentam uma alta taxa de falhas, e ainda é exigido que sejam feitas podas drásticas nas árvores próximas.  Mas o grande problema é que, infelizmente, não há fiscalização (concessionárias e prefeitura) e manutenção devida (prestadoras de serviço), e o que se vê é essa desorganização total.

Em 2013, a prefeitura de São Paulo anunciou um projeto para enterrar os fios elétricos (como na primeira foto) e recuperar as calçadas de diversos bairros e avenidas pela cidade, com uma estimativa de custo de 15 bilhões de reais. O grande empecilho foi a arrecadação do dinheiro; a sugestão seria realizar parcerias público-privadas (as empresas que usariam as galerias pagariam a maior parte do projeto e a prefeitura pagaria o resto), porém houve um impasse: a concessionária de energia (AES Eletropaulo) quer que a prefeitura assuma 70% dos custos, pois eles alegam que os custos das obras civis não têm nada a ver com eletricidade, e como ela é dona de quase todos os postes da cidade, e fatura milhões com isso, eles dizem que esse lucro é usado para subsídio da energia elétrica. Há uma lei municipal que obriga as concessionárias a enterrarem 250 km de fios por ano, mas na prática não é cumprida. Olhem no final desse post uma tabela com as principais cidades brasileiras e suas modestas extensões de enterramentos de rede.

Aí pergunto, quais são as vantagens do enterramento de fios elétricos? São muitas, tais como:

-Aumento de segurança para população, com redução de acidentes por ruptura de condutores e contatos acidentais (por exemplo, criança que empina pipa perto da fiação);

-Redução de custos de manutenção, como podas de árvores;

-Redução significativa de interrupções, como quedas de energia;

-E claro, o embelezamento da cidade, que fica mais limpa e espaçosa.

E as desvantagens? Eu diria que a degradação da tubulação por roedores (eles usam para afiar seus dentes), mas a maior é com certeza a questão financeira. O custo de implantação e manutenção (difícil acesso) é bem alto (três vezes mais).

Enquanto tudo isso mais parece um sonho (bem que poderia ser verdade), apresento a forma mais tangível para a realidade brasileira, que são as redes elétricas aéreas, mas compactas. Qual é a diferença da convencional? Bom, a rede de distribuição convencional usa fios desencapados e espaçados, já a compacta tem todos os fios encapados e próximos.  Essa maior aproximação gera menos problemas com arborização (espaço de poda menor), são mais seguras para o público, e apresentam maior confiabilidade e qualidade no fornecimento de energia. Atualmente a cidade de Maringá, no Paraná, já usa esse sistema compacto em 100% das redes urbanas. Com relação ao custo, a instalação do sistema compacto é um pouco mais cara, mas exige menos manutenção do que a convencional (79,5% de gastos menores).

Copel investe na modernização de suas redes de distribuição com a instalação de redes compactas. Foto: Divulgação Copel

Foto: Divulgação Copel

 

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Dutos com fios elétricos em rede subterrânea. Fonte: LT Sul Construções Elétricas

Bibliografia:

-Análise Comparativa dos custos de diferentes redes de destruição de energia elétrica no contexto de arborização urbana. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rarv/v30n4/31690

-Arborização viária X Sistemas de distribuição de energia elétrica: Avaliação de custos, estudos das podas e levantamentos fitotécnicos. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rarv/v30n4/31690

-Revista Veja. Brasil, Cidades. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/a-cada-dois-dias-tres-fios-de-alta-tensao-caem-em-sp/

-Celec. Normas Técnicas. Disponível em: http://novoportal.celesc.com.br/portal/images/arquivos/normas-tecnicas/instrucoes-normativas/i3130021.pdf

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Rolhas de vinho de cortiça ou tampa sintética?

rolhaSem dúvidas, a rolha feita de cortiça é a mais sustentável e “ecofriendly”. Fonte da foto: Pixabay

E aí meus brotos!

Outro dia ouvi em uma rádio o Esper Chacur (enólogo e comentarista) falando sobre a utilização de tampas sintéticas em vinhos como substituição das velhas rolhas feitas de cortiça. Ele disse que devido ao crescente aumento da produção vinícola em todo o mundo, somado com a alta demanda por rolha de cortiça levou os produtores a procurarem outras formas de vedarem seus produtos, pois a produção de rolhas naturais não estava atendendo a demanda. A cortiça é feita a partir da casca da árvore sobreiro, tipicamente encontrada na Península Ibérica (sudoeste da Europa) e do norte da África, sendo Portugal o maior produtor de rolhas de cortiça do mundo. A cortiça é um material renovável, ou seja, não precisa retirar a planta para obter o material, 100% natural e biodegradável. Já as tampas de rosca ou rolhas sintéticas, são fabricadas de elastômeros, que são polímeros com propriedades elásticas. Amantes de vinho têm opiniões distintas em relação à vedação. Por exemplo, os prós da rolha de cortiça dizem que o elemento natural da cortiça é indispensável para manutenção da qualidade do vinho, pois a sua porosidade permite a entrada de ar aos poucos, contribuindo para o envelhecimento do vinho. Já os contras dizem que os vinhos podem ser contaminados por uma substância chamada TSA (tricloroanisol) sendo sujeitos a estragarem com o tempo, e também outro argumento é que as rolhas sintéticas são mais em conta em relação às outras. Contrários ou não, a rolha natural além de ser tradicional, é amiga do ambiente por natureza e pode ser facilmente reciclada. Eu achei na internet várias empresas que reciclam esse material. Green Cork é um projeto nascido em Portugal que recolhe as rolhas de doadores e depois são trituradas, formando granulados. Elas são transformadas em outros produtos como raquetes de badminton, bolas de tênis, componentes de automóveis e aviões e até mesmo podem ser usadas em revestimentos e isolamentos em casa. Quem estiver interessado em saber mais sobre o projeto, acesse: http://www.greencork.org/

Olha que legal alguns exemplos usados na decoração em residências.

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Decoração de coração para parede. Fonte: www.reciclagemnomeioambiente.com.br

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Tapete para o banheiro (que mimo!). Fonte: Catraca Livre

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Vasos para flores! Fonte: Trendy (http://trendy.pt/2015/01/05/13-ideias-para-reutilizar-rolhas-em-casa/)

 

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Conhecendo o aquário de SP

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E aí meus brotos?

Fiz uma visita ao aquário de São Paulo em novembro, no bairro Ipiranga. Para quem não sabe, esse aquário (que mais parece um zoológico rs) é o maior da América Latina, totalizando uma área de 9 mil m² com 300 espécies diferentes de animais. Vou destacar os principais pontos positivos e negativos que vi lá na minha andança com comentários e fotos. Quero ressaltar que há diversos argumentos contra e a favor sobre a permanência de animais silvestres em jardim zoológico e aquário (eu respeito ambos), porém o intuito aqui é somente contar como foi minha experiência.   Essa história de zoológico não é nova, começou há mais de 5.000 anos atrás no Egito Antigo, no qual o objetivo principal era a diversão. Nos dias de hoje, além do entretenimento, alguns deles promovem educação, conservação e pesquisa.

Eu fui no dia pré feriado de finados (será que estava lotado?) e esse peixe de formato peculiar foi o primeiro que encontrei.

É encontrado na América Central, chamado Ciclídeo Midas.

Olha quem eu encontrei. Peraí, qual é o mesmo nome dela mesmo? Haha. A espécie é Cirugião-patela, que ficou mundialmente conhecida como a personagem Dóris, do desenho animado Procurando Nemo.

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O simpático (e deprimido?) Tamanduá-mirim entretendo com uma criança

Vamos lá. Primeiro vamos aos pontos positivos…

Achei fácil comprar os ingressos pela internet de acordo com o horário de preferência, apesar de o preço ser um pouco salgado (R$ 80,00 adulto) eu entendo que não seja barato manter um aquário (água, energia, alimentação, funcionários, etc..). Havia também diversos pontos para alimentação (rápida e demorada) espalhados pelo local. Outra coisa que se destacou foram as salas temáticas, muito bem estudadas e a criatividade tomou conta do espaço com até uma sala de embarque de um aeroporto fictício (confira fotos embaixo). O sistema de iluminação foi notável, com luzes de luz negra para destacar os peixes de cores vibrantes. As mulheres vão gostar de saber dessa, os banheiros são limpos e com várias portas.

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Sala temática imitando saguão de aeroporto. Há uma placa com os destinos que depois somos direcionados aos países ou continentes. Desculpem a minha máquina, mas aquela sombra branca seria uma atendente rs.

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Welcome to Australia! (bem-vindo à Austrália). Aqui é a entrada da ala de animais australianos.

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Achei interessante e realmente impactante o que eles fizeram bem na entrada. Tinha uma placa escrita: Conheça o maior predador do planeta, nessa hora pensei: Tubarões né! Que nada, era nossa imagem que refletia!

Realmente como não temos consciência nenhuma de nossos atos!

A grande atração do parque, sem dúvida era os famosos ursos polares Aurora e Peregrino vivendo em um espaço de 1.500 m² que pessoalmente achei pequeno, mas (pasme!) que li na instrução normativa Ibama 169, de 2008 que para essa espécie de urso (Ursus Maritimus) considera 300m² para casal.

Mas, vamos aos pontos negativos..

Eu vi tanta gente socando o vidro que separa os animais, me parecia que as pessoas estavam mais preocupadas com seus selfies do que admirar os animais de fato. Não encontrei funcionários para chamar a atenção! Um erro grande foi a falta de algumas placas de identificação dos animais. Principalmente na primeira parte, muitos peixes estavam sem nome! Eles utilizam vídeo na forma de slides como forma de identificação. Pessoalmente, prefiro as de placas coladas na parede, por que além de não ficar esperando sua espécie de interesse passar na tela, elas são mais confiáveis (e se o computador falhar?) e não consomem energia.

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Tela de identificação das espécies em manutenção

Outro ponto falho foram as lixeiras, foi difícil encontrar na parte mais antiga do aquário. Quando as encontrei, sinceramente não estavam devidamente identificadas (que mais parecia um objeto de decoração haha). Eu vi no site que eles têm um programa de gestão ambiental chamado Recicla Aquário, no qual realizam coleta seletiva no aquário e descarte correto dos seus resíduos. Contudo, se não me engano só vi no começo do estabelecimento e não em todo o aquário. Estranho, pois no site diz que há coleta seletiva em toda a área de visitação.

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Essa é a lixeira que eu encontrei lá (será que eles se inspiraram em um submarino?)

Como sou detalhista, acabei notando alguns errinhos de inglês. Ok, eles não eram gritantes! Mas eu mesma vi turistas asiáticos no dia que fui, e esse tipo de lugar é típico para estrangeiros né pessoal!

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Aparecem na tradução erro de ortografia (o certo é scale) e soa melhor escrevendo “The same teeth structure”. Ao traduzir usando tradutores fica muito ao pé da letra, e ás vezes o inglês não funciona desse jeito.

Isso aí, não só podemos somente criticar, temos que agir! Por isso, eu escrevi um e-mail para eles, e aguardo respostas! ^~^ Até mais!

 

Obs.: Todas fotos são de acervo próprio.

Nota:

A equipe do aquário me retornou o contato. Olha aí a resposta.

Obrigada por sua visita e por suas considerações. Nossos Educadores ambientais são instruídos a orientar os visitantes que não batam nos vidros e que não tirem fotos com flash, talvez devido ao grande volume de público eles não tenham conseguido atender a todos. 

Quanto as placas estamos em um processo de reformulação das informações de vários animais. Espero que em sua próxima visita tais pontos negativos tenham sido sanados, assim como os demais que você salientou. 

Atenciosamente