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Entrevista com Ricky

Entrevista Ricky

 

Hoje quero apresentar uma pessoa maravilhosa, que tenho orgulho de ser meu amigo:

Com vocês Ricky Ribeiro, do Mobilize Brasil.

Ele começou a desenvolver o portal em 2011, e hoje é considerado o melhor portal de mobilidade urbana do país, para ter uma ideia de sua dimensão, só em 2014, o site teve 3 milhões de acessos. Nele há notícias, estudos e estatísticas sobre deslocamentos urbanos, informações de tudo referente à esse universo. Ao meu ver, daqui a alguns anos, os carros vão ser trocados por transporte público, ou vão se tornar mais eficientes (carros elétricos, por exemplo). Inclusive já é uma tendência mundial. Confira abaixo nossa entrevista 🙂

1) Germinação: É impossível planejar mobilidade sem ter uma base de dados sólida e confiável. As campanhas “Calçadas do Brasil” e “Sinalize” foram fundamentais para esse processo, com informações preciosas sobre as condições reais de nossas estruturas de transito, que consequentemente impulsionou mudanças significativas no que tange a mobilidade urbana. Vocês esperavam tamanha repercussão? Quais desafios vocês encontraram pelo caminho?

Ricky: A repercussão da campanha Calçadas do Brasil surpreendeu a todos nós. Foram centenas de matérias e entrevistas para a mídia. Até hoje muitas pessoas associam o Mobilize ao tema das calçadas. Na campanha Sinalize, já esperávamos uma boa repercussão, devido ao sucesso da “Calçadas do Brasil”.

Foram muitos os desafios, sendo que o principal foi desenvolver campanhas nacionais complexas com poucos recursos humanos e financeiros. Isso só foi possível porque contamos com uma rede de colaboradores voluntários, em diversas cidades brasileiras. São especialistas, professores, estudantes, jornalistas, viajantes, portadores de necessidades especiais, ativistas e gestores públicos que colaboraram com conteúdo e conhecimento, ou realizaram as avaliações e pesquisas de campo para as campanhas.

Na campanha Calçadas do Brasil também teve o desafio de promover uma mudança de paradigma, ao criticar o modelo vigente em praticamente todas as cidades do país. O poder público imputou a responsabilidade das calçadas aos proprietários dos imóveis, mas se é quase impossível garantir um padrão em um único quarteirão, imagine na cidade inteira. Eu e todos no Mobilize defendemos que as calçadas sejam de responsabilidade das prefeituras, assim como são as ruas e avenidas. Exemplos de outros países mostram que somente o poder público tem capacidade e autoridade para projetar, construir, fiscalizar e manter as calçadas, além da sinalização e iluminação, nos padrões necessários.

2) Germinação: O que mais vejo é pedestre atravessando em local proibido e muitas vezes as faixas estão em menos de dois metros de distância, e que infelizmente, representam entre 28% e 36% de todas as mortes em acidentes rodoviários. Qual seria a solução para esse problema?

Ricky: Eu acredito que a solução passa por mais educação, tanto por meio de campanhas de conscientização, como pela introdução do tema da mobilidade urbana nas escolas. Para diminuir as mortes de pedestres, uma alternativa interessante é a redução da velocidade máxima permitida nas ruas e avenidas. Está comprovado que essa medida diminui a quantidade e a gravidade de acidentes. Em locais críticos, com altos índices de acidentes, barreiras arquitetônicas, como vasos e grades, podem ser colocadas para inibir a travessia fora da faixa de pedestres.

3) Germinação: Com a implantação do rodízio municipal, centenas de carros deixaram de circular em São Paulo, mas muitas pessoas compraram um segundo carro para poderem se locomover. Você é a favor de politica de tarifação e pedágios nos centros urbanos como o principal meio de desestimular o uso de veículos individuais locomotores?

Ricky: Eu sou a favor de políticas para desestimular o transporte individual motorizado, mas em um segundo momento. Acho importante primeiro a prefeitura oferecer transporte público de qualidade, uma rede cicloviária e calçadas em boas condições para a população. Dessa forma, ao introduzir políticas como pedágio urbano e rodizio municipal, o cidadão que geralmente usa o automóvel terá uma gama de opções atrativas para se deslocar. Esse é o caso, por exemplo, de Londres, que possui alternativas adequadas de mobilidade urbana e teve resultados positivos ao implantar pedágio urbano na região central.

4) Germinação: Essa nova politica de mobilidade que vem sendo implantada em São Paulo como esperado, enfrentou resistência de uma parte da população. Porém, o fechamento da Paulista aos domingos, por exemplo, foi bem recebida por parte dela. Você acha possível esse projeto se estender para outros lugares? São Paulo está na direção certa para a mobilidade sustentável urbana?

Ricky: Como administrador público, especialista em sustentabilidade e cidadão, estou plenamente de acordo que São Paulo está na direção certa para a mobilidade urbana sustentável. Medidas como implantação de faixas de ônibus, construção de corredores de ônibus, implantação do bilhete único mensal e semanal, renovação da frota colocando ônibus modernos com ar condicionado e wifi, aumento significativo da frota acessível a pessoas com mobilidade reduzida, criação de uma rede de ônibus noturno, criação de um laboratório de mobilidade urbana em parceria com a USP, redução da velocidade máxima nas Marginais e demais avenidas, e implantação de ciclovias, ciclofaixas, paraciclos e bicicletários são decisões acertadas e mostram que a prefeitura está a par do que vem sendo feito e estudado nas principais cidades do mundo. Estamos, sem nenhuma dúvida, atravessando um momento de grande evolução nas questões relacionadas à mobilidade urbana sustentável na cidade de São Paulo. Minha maior crítica se dá pelo pouco avanço ocorrido nas condições das calçadas e na mobilidade a pé em geral.

São Paulo, por ser a maior cidade do país, serve de exemplo, tanto positivo como negativo, para o Brasil inteiro. Espero que as boas iniciativas de mobilidade urbana sejam replicadas em outras localidades.

Sempre que há mudanças, é relativamente comum que haja uma resistência inicial, especialmente em um país com uma mídia majoritariamente conservadora e orientada por motivações políticas e interesses comerciais. Ao analisar a história do Brasil e de nossa imprensa, podemos observar que houve bastante resistência a mudanças que hoje nos parecem muito óbvias, como a abolição da escravatura, a criação do salário mínimo e o estabelecimento do 13º salário, entre muitas outras. Acredito que daqui alguns anos também será óbvio para a maioria das pessoas que uma prefeitura deve priorizar o transporte coletivo e o transporte não motorizado em detrimento do transporte individual motorizado.

5) Germinação: Você comentou que o período que morou em Recife foi um dos melhores em sua vida. Como era seu dia a dia? A bicicleta era o seu principal meio de locomoção?

Ricky: A bicicleta e os pés eram meus principais meios de locomoção. Eu morei a maior parte do tempo em um apartamento localizado a dois quarteirões do trabalho e fazia este trajeto caminhando. Fora o deslocamento para o trabalho, fazia quase tudo de bicicleta. Em algumas situações, usava transporte público ou taxi, além de carona com amigos. Duas vezes aluguei carro para viajar.

6) Germinação: As empresas podem ajudar a mudar a cultura de mobilidade entre seus colaboradores. Cite exemplos como elas poderiam fazer isso, e quais seriam os maiores desafios no ambiente corporativo?

Ricky: As empresas tem uma grande responsabilidade em ajudar a desatar o nó da mobilidade urbana, pois são polos geradores de tráfego. Aproximadamente metade dos deslocamentos diários realizados nas cidades brasileiras tem como destino ou origem o local de trabalho. A forma como essas pessoas se deslocam tem diferentes impactos e consequências para o bairro, para a cidade e para o próprio funcionário. As empresas fazem parte do problema, mas também podem fazer parte da solução.

Ações para racionalizar o uso do automóvel, incentivar o uso de transportes coletivos e não motorizados, e reduzir a necessidade de deslocamentos, estão se tornando mais comuns no meio empresarial. Exemplos dessa mudança de paradigma são medidas como adesão a programas de carona solidária, fornecimento de ônibus fretado, compartilhamento de taxis, escalonamento de horários, subsídios a bilhetes de transporte, instalação de bicicletários e vestiários, estímulo ao home office, e uso do serviço de entregas por bicicleta. Não há uma única solução para as questões de mobilidade, e sim um leque de alternativas.

As empresas podem e devem fazer sua parte, fornecendo alternativas, informações, facilidades e incentivos, se envolvendo na causa e dando exemplo, mas a decisão final de adotar novos hábitos é do colaborador. Por isso é importante que as ações venham acompanhadas de uma campanha educativa, que conscientize sobre a importância da mobilidade urbana sustentável, e gere uma mudança de cultura. Esse é um dos maiores desafios.

Entre no site do Mobilize e veja mais informações sobre mobilidade urbana : 

http://www.mobilize.org.br/

Beijos

 

 

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Poluição visual: Redes elétricas aéreas

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Olhem para essa imagem (é da Rua Oscar Freire, no bairro Cerqueira César). O que vocês veem de diferente das outras ruas? Olhem atentamente nas calçadas e notem que não existem postes de redes elétricas. Como assim? É porque eles enterraram a fiação (debaixo da terra) em cinco quarteirões da Oscar Freire. Fonte: Google Maps

Como estão, meus brotos?

Sempre que passo perto de fios elétricos na rua, redobro minha atenção. Quantas vezes vocês passaram em uma rua e viram aqueles fios elétricos caídos e expostos no chão? Ou viram aquela arte linda de fios emaranhados que a gente nem entende para que serve? Hoje quero abordar um pouco esse assunto, pois além de poluir visualmente e atrapalhar os pedestres, fios elétricos podem causar acidentes graves e fatais, principalmente em dias de chuva (o Brasil é o país onde existe a maior incidência de raios em todo o mundo). Não é à toa que esse assunto merece destaque em termos de planejamento urbano.

Para entendermos o motivo do super congestionamento de fios que passam pelos postes, é preciso saber quais empresas são responsáveis pela fiação. O poste é propriedade da companhia elétrica que o aluga para outras companhias. Cada poste pode ter até seis pontos para instalação de cabos de comunicação (só que na prática chega a ter quase 20). Esses cabos de comunicação incluem serviços de TV a cabo, internet e telefonia, e também iluminação pública. A cada dois dias, três fios de alta tensão caem em São Paulo, provocando acidentes e até incêndios (vocês se lembram daquele triste episódio que aconteceu na favela em Campo Belo, deixando 2 mil pessoas desabrigadas ano passado? Então, a causa do acidente foi a queda de um fio de alta tensão).

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Quanta confusão!!! Quem se aventura a contar quantos fios tem aí? Haha Fonte: G1

O problema das redes convencionais (maioria em São Paulo) é o fato de que elas possuem pouca blindagem para as descargas atmosféricas (raios), têm baixa confiabilidade e apresentam uma alta taxa de falhas, e ainda é exigido que sejam feitas podas drásticas nas árvores próximas.  Mas o grande problema é que, infelizmente, não há fiscalização (concessionárias e prefeitura) e manutenção devida (prestadoras de serviço), e o que se vê é essa desorganização total.

Em 2013, a prefeitura de São Paulo anunciou um projeto para enterrar os fios elétricos (como na primeira foto) e recuperar as calçadas de diversos bairros e avenidas pela cidade, com uma estimativa de custo de 15 bilhões de reais. O grande empecilho foi a arrecadação do dinheiro; a sugestão seria realizar parcerias público-privadas (as empresas que usariam as galerias pagariam a maior parte do projeto e a prefeitura pagaria o resto), porém houve um impasse: a concessionária de energia (AES Eletropaulo) quer que a prefeitura assuma 70% dos custos, pois eles alegam que os custos das obras civis não têm nada a ver com eletricidade, e como ela é dona de quase todos os postes da cidade, e fatura milhões com isso, eles dizem que esse lucro é usado para subsídio da energia elétrica. Há uma lei municipal que obriga as concessionárias a enterrarem 250 km de fios por ano, mas na prática não é cumprida. Olhem no final desse post uma tabela com as principais cidades brasileiras e suas modestas extensões de enterramentos de rede.

Aí pergunto, quais são as vantagens do enterramento de fios elétricos? São muitas, tais como:

-Aumento de segurança para população, com redução de acidentes por ruptura de condutores e contatos acidentais (por exemplo, criança que empina pipa perto da fiação);

-Redução de custos de manutenção, como podas de árvores;

-Redução significativa de interrupções, como quedas de energia;

-E claro, o embelezamento da cidade, que fica mais limpa e espaçosa.

E as desvantagens? Eu diria que a degradação da tubulação por roedores (eles usam para afiar seus dentes), mas a maior é com certeza a questão financeira. O custo de implantação e manutenção (difícil acesso) é bem alto (três vezes mais).

Enquanto tudo isso mais parece um sonho (bem que poderia ser verdade), apresento a forma mais tangível para a realidade brasileira, que são as redes elétricas aéreas, mas compactas. Qual é a diferença da convencional? Bom, a rede de distribuição convencional usa fios desencapados e espaçados, já a compacta tem todos os fios encapados e próximos.  Essa maior aproximação gera menos problemas com arborização (espaço de poda menor), são mais seguras para o público, e apresentam maior confiabilidade e qualidade no fornecimento de energia. Atualmente a cidade de Maringá, no Paraná, já usa esse sistema compacto em 100% das redes urbanas. Com relação ao custo, a instalação do sistema compacto é um pouco mais cara, mas exige menos manutenção do que a convencional (79,5% de gastos menores).

Copel investe na modernização de suas redes de distribuição com a instalação de redes compactas. Foto: Divulgação Copel

Foto: Divulgação Copel

 

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Dutos com fios elétricos em rede subterrânea. Fonte: LT Sul Construções Elétricas

Bibliografia:

-Análise Comparativa dos custos de diferentes redes de destruição de energia elétrica no contexto de arborização urbana. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rarv/v30n4/31690

-Arborização viária X Sistemas de distribuição de energia elétrica: Avaliação de custos, estudos das podas e levantamentos fitotécnicos. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rarv/v30n4/31690

-Revista Veja. Brasil, Cidades. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/a-cada-dois-dias-tres-fios-de-alta-tensao-caem-em-sp/

-Celec. Normas Técnicas. Disponível em: http://novoportal.celesc.com.br/portal/images/arquivos/normas-tecnicas/instrucoes-normativas/i3130021.pdf

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Rolhas de vinho de cortiça ou tampa sintética?

rolhaSem dúvidas, a rolha feita de cortiça é a mais sustentável e “ecofriendly”. Fonte da foto: Pixabay

E aí meus brotos!

Outro dia ouvi em uma rádio o Esper Chacur (enólogo e comentarista) falando sobre a utilização de tampas sintéticas em vinhos como substituição das velhas rolhas feitas de cortiça. Ele disse que devido ao crescente aumento da produção vinícola em todo o mundo, somado com a alta demanda por rolha de cortiça levou os produtores a procurarem outras formas de vedarem seus produtos, pois a produção de rolhas naturais não estava atendendo a demanda. A cortiça é feita a partir da casca da árvore sobreiro, tipicamente encontrada na Península Ibérica (sudoeste da Europa) e do norte da África, sendo Portugal o maior produtor de rolhas de cortiça do mundo. A cortiça é um material renovável, ou seja, não precisa retirar a planta para obter o material, 100% natural e biodegradável. Já as tampas de rosca ou rolhas sintéticas, são fabricadas de elastômeros, que são polímeros com propriedades elásticas. Amantes de vinho têm opiniões distintas em relação à vedação. Por exemplo, os prós da rolha de cortiça dizem que o elemento natural da cortiça é indispensável para manutenção da qualidade do vinho, pois a sua porosidade permite a entrada de ar aos poucos, contribuindo para o envelhecimento do vinho. Já os contras dizem que os vinhos podem ser contaminados por uma substância chamada TSA (tricloroanisol) sendo sujeitos a estragarem com o tempo, e também outro argumento é que as rolhas sintéticas são mais em conta em relação às outras. Contrários ou não, a rolha natural além de ser tradicional, é amiga do ambiente por natureza e pode ser facilmente reciclada. Eu achei na internet várias empresas que reciclam esse material. Green Cork é um projeto nascido em Portugal que recolhe as rolhas de doadores e depois são trituradas, formando granulados. Elas são transformadas em outros produtos como raquetes de badminton, bolas de tênis, componentes de automóveis e aviões e até mesmo podem ser usadas em revestimentos e isolamentos em casa. Quem estiver interessado em saber mais sobre o projeto, acesse: http://www.greencork.org/

Olha que legal alguns exemplos usados na decoração em residências.

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Decoração de coração para parede. Fonte: www.reciclagemnomeioambiente.com.br

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Tapete para o banheiro (que mimo!). Fonte: Catraca Livre

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Vasos para flores! Fonte: Trendy (http://trendy.pt/2015/01/05/13-ideias-para-reutilizar-rolhas-em-casa/)

 

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Conhecendo o aquário de SP

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E aí meus brotos?

Fiz uma visita ao aquário de São Paulo em novembro, no bairro Ipiranga. Para quem não sabe, esse aquário (que mais parece um zoológico rs) é o maior da América Latina, totalizando uma área de 9 mil m² com 300 espécies diferentes de animais. Vou destacar os principais pontos positivos e negativos que vi lá na minha andança com comentários e fotos. Quero ressaltar que há diversos argumentos contra e a favor sobre a permanência de animais silvestres em jardim zoológico e aquário (eu respeito ambos), porém o intuito aqui é somente contar como foi minha experiência.   Essa história de zoológico não é nova, começou há mais de 5.000 anos atrás no Egito Antigo, no qual o objetivo principal era a diversão. Nos dias de hoje, além do entretenimento, alguns deles promovem educação, conservação e pesquisa.

Eu fui no dia pré feriado de finados (será que estava lotado?) e esse peixe de formato peculiar foi o primeiro que encontrei.

É encontrado na América Central, chamado Ciclídeo Midas.

Olha quem eu encontrei. Peraí, qual é o mesmo nome dela mesmo? Haha. A espécie é Cirugião-patela, que ficou mundialmente conhecida como a personagem Dóris, do desenho animado Procurando Nemo.

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O simpático (e deprimido?) Tamanduá-mirim entretendo com uma criança

Vamos lá. Primeiro vamos aos pontos positivos…

Achei fácil comprar os ingressos pela internet de acordo com o horário de preferência, apesar de o preço ser um pouco salgado (R$ 80,00 adulto) eu entendo que não seja barato manter um aquário (água, energia, alimentação, funcionários, etc..). Havia também diversos pontos para alimentação (rápida e demorada) espalhados pelo local. Outra coisa que se destacou foram as salas temáticas, muito bem estudadas e a criatividade tomou conta do espaço com até uma sala de embarque de um aeroporto fictício (confira fotos embaixo). O sistema de iluminação foi notável, com luzes de luz negra para destacar os peixes de cores vibrantes. As mulheres vão gostar de saber dessa, os banheiros são limpos e com várias portas.

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Sala temática imitando saguão de aeroporto. Há uma placa com os destinos que depois somos direcionados aos países ou continentes. Desculpem a minha máquina, mas aquela sombra branca seria uma atendente rs.

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Welcome to Australia! (bem-vindo à Austrália). Aqui é a entrada da ala de animais australianos.

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Achei interessante e realmente impactante o que eles fizeram bem na entrada. Tinha uma placa escrita: Conheça o maior predador do planeta, nessa hora pensei: Tubarões né! Que nada, era nossa imagem que refletia!

Realmente como não temos consciência nenhuma de nossos atos!

A grande atração do parque, sem dúvida era os famosos ursos polares Aurora e Peregrino vivendo em um espaço de 1.500 m² que pessoalmente achei pequeno, mas (pasme!) que li na instrução normativa Ibama 169, de 2008 que para essa espécie de urso (Ursus Maritimus) considera 300m² para casal.

Mas, vamos aos pontos negativos..

Eu vi tanta gente socando o vidro que separa os animais, me parecia que as pessoas estavam mais preocupadas com seus selfies do que admirar os animais de fato. Não encontrei funcionários para chamar a atenção! Um erro grande foi a falta de algumas placas de identificação dos animais. Principalmente na primeira parte, muitos peixes estavam sem nome! Eles utilizam vídeo na forma de slides como forma de identificação. Pessoalmente, prefiro as de placas coladas na parede, por que além de não ficar esperando sua espécie de interesse passar na tela, elas são mais confiáveis (e se o computador falhar?) e não consomem energia.

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Tela de identificação das espécies em manutenção

Outro ponto falho foram as lixeiras, foi difícil encontrar na parte mais antiga do aquário. Quando as encontrei, sinceramente não estavam devidamente identificadas (que mais parecia um objeto de decoração haha). Eu vi no site que eles têm um programa de gestão ambiental chamado Recicla Aquário, no qual realizam coleta seletiva no aquário e descarte correto dos seus resíduos. Contudo, se não me engano só vi no começo do estabelecimento e não em todo o aquário. Estranho, pois no site diz que há coleta seletiva em toda a área de visitação.

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Essa é a lixeira que eu encontrei lá (será que eles se inspiraram em um submarino?)

Como sou detalhista, acabei notando alguns errinhos de inglês. Ok, eles não eram gritantes! Mas eu mesma vi turistas asiáticos no dia que fui, e esse tipo de lugar é típico para estrangeiros né pessoal!

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Aparecem na tradução erro de ortografia (o certo é scale) e soa melhor escrevendo “The same teeth structure”. Ao traduzir usando tradutores fica muito ao pé da letra, e ás vezes o inglês não funciona desse jeito.

Isso aí, não só podemos somente criticar, temos que agir! Por isso, eu escrevi um e-mail para eles, e aguardo respostas! ^~^ Até mais!

 

Obs.: Todas fotos são de acervo próprio.

Nota:

A equipe do aquário me retornou o contato. Olha aí a resposta.

Obrigada por sua visita e por suas considerações. Nossos Educadores ambientais são instruídos a orientar os visitantes que não batam nos vidros e que não tirem fotos com flash, talvez devido ao grande volume de público eles não tenham conseguido atender a todos. 

Quanto as placas estamos em um processo de reformulação das informações de vários animais. Espero que em sua próxima visita tais pontos negativos tenham sido sanados, assim como os demais que você salientou. 

Atenciosamente