Categorias: Meio ambiente

Árvores Urbanas

CAPA ARVORES

 

Meus brotos! Que saudade eu estava de escrever para vocês! I’m back! =D

Hoje vou falar um pouco sobre nossas árvores urbanas localizadas nas vias públicas. (Embora nem todo mundo fique apreciando uma bela árvore como eu, até porque nessa correria de lá para cá, fica difícil parar um pouquinho, não é mesmo?)

Mas sabia que essas bichinhas fazem um bem danado para a gente? Na verdade, elas são umas mãezonas, porque olha só: proporcionam sombra (é que agora está um friozinho gostoso, mas fica parado na Paulista meio dia no “verãozão” para você ver! kkk), servem como barreira natural contra ventos e ruídos (ai ai… aquele bi bi bi de carro é chato demais, né?!), e não menos importante, elas retêm água da chuva, diminuindo assim o problema das detestáveis enchentes (meu pai já perdeu um carro em um desses temporais =´[ ). Ah! Também é uma questão de saúde pública, já que as árvores diminuem a poluição do ar, ao sequestrar e armazenar carbono (podem capturar esses “moços” aí que ninguém vai pagar pelo resgate, hein! rs).

Passando por algumas esquinas, dá para notar que as árvores estão grandes demais para seus espaços, e que em dia de chuva, árvores caem na cidade e deixam partes da cidade sem luz, porque quando caem, podem levar a fiação elétrica junto, e ainda podem destruir carros ou ferir pessoas.

São Paulo tem um índice de queda de árvores a cada três horas, e o número de quedas aumentou em 77% entre janeiro e outubro de 2014. A estimativa é a mesma para o período equivalente em 2015 (levantamento feito pelo site Fiquem sabendo). Mas por quais motivos as árvores caem tanto?

ARBORIXSFS

Fonte: Manual Técnico de Arborização Urbana – Prefeitura de São Paulo

 

Primeiro porque elas estão plantadas de maneira inadequada, impermeabilizadas até o tronco (sujeitas a infestações de pragas e doenças). Segundo, porque as plantas não recebem adubos para crescerem saudáveis e são podadas erroneamente.

Imagino que muitas plantas caíram e não foram plantadas novos exemplares no lugar. São Paulo poderia ter mais verde, como notei na cidade de Montevidéu e no Uruguai, quando fiz um mochilão no ano passado (2016). Estou adorando ver jardins verticais no Minhocão e nos muros da avenida 23 de Maio. Concordam que a cidade fica muito mais charmosa e saudável quando é mais arborizada?

Podemos fazer nossa parte e plantar árvores na calçada, sabia? Qualquer um pode arborizar seu bairro, desde que siga algumas regras, é claro (veja no manual quais são elas).

Há pessoas que reclamam da árvore do vizinho, porque ela suja sua casa ou destrói seu piso, mas é porque tem que saber escolher a espécie certa; há algumas que quase não sujam o chão. A prefeitura lançou um manual técnico de arborização urbana em 2015, que fala tudo sobre as espécies arbóreas corretas para calçadas (vou disponibilizar no final deste post).

 

cassia_carnaval

Parecem cachos de uvas, não é mesmo? Esta é a Acácia (Cassia spectabilis), famosa na cidade.

Quando for fazer seu paisagismo em casa, prefira utilizar espécies nativas brasileiras (cerca de 90% da vegetação usada no paisagismo é de origem estrangeira). A tendência dessas plantas ornamentais é serem extintas da fauna e flora locais. Também, pelo fato de a maioria das pessoas sempre optar por usar as mesmas plantas em seus jardins, há menos biodiversidade e menos geração de serviços ambientais, prejudicando assim o meio ambiente.

nativas paisagismo

Canudo-de-pito (Dichorisandra hexandra), Vedélia (Sphagneticola trilobata) e Begônia (Begonia sp.). Fotos: Fred Kendi apud Haus

>> Manual Téc. de Arborização urbana. Disponível em: https://www.sosma.org.br/wp-content/uploads/2015/03/MANUAL-ARBORIZACAO_22-01-15_.pdf

Categorias: Meio ambiente

Telhas feitas de Pasta de Dente

economia

Nessa semana, foi a virada sustentável aqui na nossa cidade. Aproveitei para dar um pulo na segunda feira de Sustentabilidade promovida pela CES Alphaville. Lá eu vi de perto uma empresa que já tinha visto naquele programa Grandes ideias, pequenos negócios de uma emissora brasileira, essa empresa faz telhas e placas a partir de tubos de pastas de dente. Essa ideia faz parte da economia circular, que a parte restante do processo de um produto, por exemplo, são reaproveitados na parte de outro processo para produzir um novo produto.

Vamos para a parte legal, a parte prática rs.

A empresa recolhe cerca de 100 toneladas de pastas de dente de empresas doadoras.

Essas pastas vão para um triturador, aonde serão moídos, mas antes são retiradas as tampinhas que as envolvem. Para cada placa, são utilizadas mil tubos de pasta de dente.

Depois seguem para serem prensados a quente, aonde ganharão fôrma de telhas.

Elas têm vantagens sobre a telha comum, baixa absorção de calor, alta resistência físico-mecânica, bom isolante acústico e fácil corte e fixação.

Olhem a amostra que peguei lá =)

image1 image2

A telha fica assim:

telha_gd

Fonte: Ecotop

Um ótimo começo de semana para todos !

Categorias: Meio ambiente

Eco Cooler

Sem título

Esses dias eu li sobre essa invenção tão simples, mas tão poderosa que resolvi compartilhar com meus brotos! =)

Estamos no inverno, porém em muitas regiões do Brasil, como no Nordeste não faz frio! Essa ideia surgiu em Bangladesh, onde engenheiros desenvolveram o Eco Cooler! Seu funcionamento é muito simples, já reparou quando você abre a boca e provoca bafo na mão o ar é quente, e quando assopra o ar é frio? Faça o teste!! Isso ocorre porque quando assopramos, deslocamos pequenas camadas de ar que estão junto à pele. Essa velocidade do sopro é alta, faz com que a pressão no local diminuia. Devido a essa baixa pressão, as moléculas presentes no ar são atraídas para essa zona de baixa pressão, como essas moléculas estão numa temperatura mais baixa que nosso corpo, dá essa sensação de resfriamento. O que acontece com o bafo é ao contrário.  ar-condicionado-sem-eletriciade-696x543

Figura 01 – Eco Cooler. Fonte: http://inhabitat.com/this-amazing-bangladeshi-air-cooler-is-made-from-plastic-bottles-and-uses-no-electricity/

Ok, teoria ensinada, vamos para a prática? Primeiramente, meça sua janela (largura x comprimento).  Por exemplo, temos uma janela de 787, 4mm por 939, 8mm, dividiremos por 127 mm (corpo da garrafa pet de 2 litros), teremos então 42 pontos, ou seja, teremos que separar 42 garrafas de plástico tipo PET.

step_2

Figura 02 – Dimensões dos pontos aonde serão colocados as garrafas. Fonte: http://103.16.74.132/bytes/tech-happening/beating-the-summer-heat-bangladeshi-style-eco-cooler-1239022

Agora, faça os furos com diâmetro de 25,4 mm (ou 2,54 cm), em sequência, faremos os furos com ajuda de uma furadeira (não se  esqueça da segurança ein!) em um placa de madeira (pode ser madeirite).

Em seguida, cortaremos a garrafa PET ao meio como na figura a seguir.

eco-cooler.04

Figura 03 – Cortagem das garrafas PET. Fonte:  http://observers.france24.com/en/20160602-bangladesh-air-conditioner-plastic-bottles-technology

Depois corte o topo da tampa, isso vai ajudar a fixar a garrafa no painel de madeira. Agora coloque todas as garrafas no painel e rosque-as do outro lado do painel.

E tcharam!! Seu ar condicionado está pronto! Ele ajudará a diminuir 5oC (graus) do ambiente de casa.

eco.cooler13

Figura 04 – Ar condicionado totalmente ecológico pronto! =D Fonte:  http://www.geek.com/science/eco-cooler-air-conditioner-cools-a-home-without-using-electricity-1657343/

Quer saber mais? Então veja o vídeo oficial do ECO COOLER!

Categorias: Meio ambiente

Entrevista com Ricky

Entrevista Ricky

 

Hoje quero apresentar uma pessoa maravilhosa, que tenho orgulho de ser meu amigo:

Com vocês Ricky Ribeiro, do Mobilize Brasil.

Ele começou a desenvolver o portal em 2011, e hoje é considerado o melhor portal de mobilidade urbana do país, para ter uma ideia de sua dimensão, só em 2014, o site teve 3 milhões de acessos. Nele há notícias, estudos e estatísticas sobre deslocamentos urbanos, informações de tudo referente à esse universo. Ao meu ver, daqui a alguns anos, os carros vão ser trocados por transporte público, ou vão se tornar mais eficientes (carros elétricos, por exemplo). Inclusive já é uma tendência mundial. Confira abaixo nossa entrevista 🙂

1) Germinação: É impossível planejar mobilidade sem ter uma base de dados sólida e confiável. As campanhas “Calçadas do Brasil” e “Sinalize” foram fundamentais para esse processo, com informações preciosas sobre as condições reais de nossas estruturas de transito, que consequentemente impulsionou mudanças significativas no que tange a mobilidade urbana. Vocês esperavam tamanha repercussão? Quais desafios vocês encontraram pelo caminho?

Ricky: A repercussão da campanha Calçadas do Brasil surpreendeu a todos nós. Foram centenas de matérias e entrevistas para a mídia. Até hoje muitas pessoas associam o Mobilize ao tema das calçadas. Na campanha Sinalize, já esperávamos uma boa repercussão, devido ao sucesso da “Calçadas do Brasil”.

Foram muitos os desafios, sendo que o principal foi desenvolver campanhas nacionais complexas com poucos recursos humanos e financeiros. Isso só foi possível porque contamos com uma rede de colaboradores voluntários, em diversas cidades brasileiras. São especialistas, professores, estudantes, jornalistas, viajantes, portadores de necessidades especiais, ativistas e gestores públicos que colaboraram com conteúdo e conhecimento, ou realizaram as avaliações e pesquisas de campo para as campanhas.

Na campanha Calçadas do Brasil também teve o desafio de promover uma mudança de paradigma, ao criticar o modelo vigente em praticamente todas as cidades do país. O poder público imputou a responsabilidade das calçadas aos proprietários dos imóveis, mas se é quase impossível garantir um padrão em um único quarteirão, imagine na cidade inteira. Eu e todos no Mobilize defendemos que as calçadas sejam de responsabilidade das prefeituras, assim como são as ruas e avenidas. Exemplos de outros países mostram que somente o poder público tem capacidade e autoridade para projetar, construir, fiscalizar e manter as calçadas, além da sinalização e iluminação, nos padrões necessários.

2) Germinação: O que mais vejo é pedestre atravessando em local proibido e muitas vezes as faixas estão em menos de dois metros de distância, e que infelizmente, representam entre 28% e 36% de todas as mortes em acidentes rodoviários. Qual seria a solução para esse problema?

Ricky: Eu acredito que a solução passa por mais educação, tanto por meio de campanhas de conscientização, como pela introdução do tema da mobilidade urbana nas escolas. Para diminuir as mortes de pedestres, uma alternativa interessante é a redução da velocidade máxima permitida nas ruas e avenidas. Está comprovado que essa medida diminui a quantidade e a gravidade de acidentes. Em locais críticos, com altos índices de acidentes, barreiras arquitetônicas, como vasos e grades, podem ser colocadas para inibir a travessia fora da faixa de pedestres.

3) Germinação: Com a implantação do rodízio municipal, centenas de carros deixaram de circular em São Paulo, mas muitas pessoas compraram um segundo carro para poderem se locomover. Você é a favor de politica de tarifação e pedágios nos centros urbanos como o principal meio de desestimular o uso de veículos individuais locomotores?

Ricky: Eu sou a favor de políticas para desestimular o transporte individual motorizado, mas em um segundo momento. Acho importante primeiro a prefeitura oferecer transporte público de qualidade, uma rede cicloviária e calçadas em boas condições para a população. Dessa forma, ao introduzir políticas como pedágio urbano e rodizio municipal, o cidadão que geralmente usa o automóvel terá uma gama de opções atrativas para se deslocar. Esse é o caso, por exemplo, de Londres, que possui alternativas adequadas de mobilidade urbana e teve resultados positivos ao implantar pedágio urbano na região central.

4) Germinação: Essa nova politica de mobilidade que vem sendo implantada em São Paulo como esperado, enfrentou resistência de uma parte da população. Porém, o fechamento da Paulista aos domingos, por exemplo, foi bem recebida por parte dela. Você acha possível esse projeto se estender para outros lugares? São Paulo está na direção certa para a mobilidade sustentável urbana?

Ricky: Como administrador público, especialista em sustentabilidade e cidadão, estou plenamente de acordo que São Paulo está na direção certa para a mobilidade urbana sustentável. Medidas como implantação de faixas de ônibus, construção de corredores de ônibus, implantação do bilhete único mensal e semanal, renovação da frota colocando ônibus modernos com ar condicionado e wifi, aumento significativo da frota acessível a pessoas com mobilidade reduzida, criação de uma rede de ônibus noturno, criação de um laboratório de mobilidade urbana em parceria com a USP, redução da velocidade máxima nas Marginais e demais avenidas, e implantação de ciclovias, ciclofaixas, paraciclos e bicicletários são decisões acertadas e mostram que a prefeitura está a par do que vem sendo feito e estudado nas principais cidades do mundo. Estamos, sem nenhuma dúvida, atravessando um momento de grande evolução nas questões relacionadas à mobilidade urbana sustentável na cidade de São Paulo. Minha maior crítica se dá pelo pouco avanço ocorrido nas condições das calçadas e na mobilidade a pé em geral.

São Paulo, por ser a maior cidade do país, serve de exemplo, tanto positivo como negativo, para o Brasil inteiro. Espero que as boas iniciativas de mobilidade urbana sejam replicadas em outras localidades.

Sempre que há mudanças, é relativamente comum que haja uma resistência inicial, especialmente em um país com uma mídia majoritariamente conservadora e orientada por motivações políticas e interesses comerciais. Ao analisar a história do Brasil e de nossa imprensa, podemos observar que houve bastante resistência a mudanças que hoje nos parecem muito óbvias, como a abolição da escravatura, a criação do salário mínimo e o estabelecimento do 13º salário, entre muitas outras. Acredito que daqui alguns anos também será óbvio para a maioria das pessoas que uma prefeitura deve priorizar o transporte coletivo e o transporte não motorizado em detrimento do transporte individual motorizado.

5) Germinação: Você comentou que o período que morou em Recife foi um dos melhores em sua vida. Como era seu dia a dia? A bicicleta era o seu principal meio de locomoção?

Ricky: A bicicleta e os pés eram meus principais meios de locomoção. Eu morei a maior parte do tempo em um apartamento localizado a dois quarteirões do trabalho e fazia este trajeto caminhando. Fora o deslocamento para o trabalho, fazia quase tudo de bicicleta. Em algumas situações, usava transporte público ou taxi, além de carona com amigos. Duas vezes aluguei carro para viajar.

6) Germinação: As empresas podem ajudar a mudar a cultura de mobilidade entre seus colaboradores. Cite exemplos como elas poderiam fazer isso, e quais seriam os maiores desafios no ambiente corporativo?

Ricky: As empresas tem uma grande responsabilidade em ajudar a desatar o nó da mobilidade urbana, pois são polos geradores de tráfego. Aproximadamente metade dos deslocamentos diários realizados nas cidades brasileiras tem como destino ou origem o local de trabalho. A forma como essas pessoas se deslocam tem diferentes impactos e consequências para o bairro, para a cidade e para o próprio funcionário. As empresas fazem parte do problema, mas também podem fazer parte da solução.

Ações para racionalizar o uso do automóvel, incentivar o uso de transportes coletivos e não motorizados, e reduzir a necessidade de deslocamentos, estão se tornando mais comuns no meio empresarial. Exemplos dessa mudança de paradigma são medidas como adesão a programas de carona solidária, fornecimento de ônibus fretado, compartilhamento de taxis, escalonamento de horários, subsídios a bilhetes de transporte, instalação de bicicletários e vestiários, estímulo ao home office, e uso do serviço de entregas por bicicleta. Não há uma única solução para as questões de mobilidade, e sim um leque de alternativas.

As empresas podem e devem fazer sua parte, fornecendo alternativas, informações, facilidades e incentivos, se envolvendo na causa e dando exemplo, mas a decisão final de adotar novos hábitos é do colaborador. Por isso é importante que as ações venham acompanhadas de uma campanha educativa, que conscientize sobre a importância da mobilidade urbana sustentável, e gere uma mudança de cultura. Esse é um dos maiores desafios.

Entre no site do Mobilize e veja mais informações sobre mobilidade urbana : 

http://www.mobilize.org.br/

Beijos

 

 

Categorias: Meio ambiente

Poluição visual: Redes elétricas aéreas

afiacao
Olhem para essa imagem (é da Rua Oscar Freire, no bairro Cerqueira César). O que vocês veem de diferente das outras ruas? Olhem atentamente nas calçadas e notem que não existem postes de redes elétricas. Como assim? É porque eles enterraram a fiação (debaixo da terra) em cinco quarteirões da Oscar Freire. Fonte: Google Maps

Como estão, meus brotos?

Sempre que passo perto de fios elétricos na rua, redobro minha atenção. Quantas vezes vocês passaram em uma rua e viram aqueles fios elétricos caídos e expostos no chão? Ou viram aquela arte linda de fios emaranhados que a gente nem entende para que serve? Hoje quero abordar um pouco esse assunto, pois além de poluir visualmente e atrapalhar os pedestres, fios elétricos podem causar acidentes graves e fatais, principalmente em dias de chuva (o Brasil é o país onde existe a maior incidência de raios em todo o mundo). Não é à toa que esse assunto merece destaque em termos de planejamento urbano.

Para entendermos o motivo do super congestionamento de fios que passam pelos postes, é preciso saber quais empresas são responsáveis pela fiação. O poste é propriedade da companhia elétrica que o aluga para outras companhias. Cada poste pode ter até seis pontos para instalação de cabos de comunicação (só que na prática chega a ter quase 20). Esses cabos de comunicação incluem serviços de TV a cabo, internet e telefonia, e também iluminação pública. A cada dois dias, três fios de alta tensão caem em São Paulo, provocando acidentes e até incêndios (vocês se lembram daquele triste episódio que aconteceu na favela em Campo Belo, deixando 2 mil pessoas desabrigadas ano passado? Então, a causa do acidente foi a queda de um fio de alta tensão).

afiacao 2

Quanta confusão!!! Quem se aventura a contar quantos fios tem aí? Haha Fonte: G1

O problema das redes convencionais (maioria em São Paulo) é o fato de que elas possuem pouca blindagem para as descargas atmosféricas (raios), têm baixa confiabilidade e apresentam uma alta taxa de falhas, e ainda é exigido que sejam feitas podas drásticas nas árvores próximas.  Mas o grande problema é que, infelizmente, não há fiscalização (concessionárias e prefeitura) e manutenção devida (prestadoras de serviço), e o que se vê é essa desorganização total.

Em 2013, a prefeitura de São Paulo anunciou um projeto para enterrar os fios elétricos (como na primeira foto) e recuperar as calçadas de diversos bairros e avenidas pela cidade, com uma estimativa de custo de 15 bilhões de reais. O grande empecilho foi a arrecadação do dinheiro; a sugestão seria realizar parcerias público-privadas (as empresas que usariam as galerias pagariam a maior parte do projeto e a prefeitura pagaria o resto), porém houve um impasse: a concessionária de energia (AES Eletropaulo) quer que a prefeitura assuma 70% dos custos, pois eles alegam que os custos das obras civis não têm nada a ver com eletricidade, e como ela é dona de quase todos os postes da cidade, e fatura milhões com isso, eles dizem que esse lucro é usado para subsídio da energia elétrica. Há uma lei municipal que obriga as concessionárias a enterrarem 250 km de fios por ano, mas na prática não é cumprida. Olhem no final desse post uma tabela com as principais cidades brasileiras e suas modestas extensões de enterramentos de rede.

Aí pergunto, quais são as vantagens do enterramento de fios elétricos? São muitas, tais como:

-Aumento de segurança para população, com redução de acidentes por ruptura de condutores e contatos acidentais (por exemplo, criança que empina pipa perto da fiação);

-Redução de custos de manutenção, como podas de árvores;

-Redução significativa de interrupções, como quedas de energia;

-E claro, o embelezamento da cidade, que fica mais limpa e espaçosa.

E as desvantagens? Eu diria que a degradação da tubulação por roedores (eles usam para afiar seus dentes), mas a maior é com certeza a questão financeira. O custo de implantação e manutenção (difícil acesso) é bem alto (três vezes mais).

Enquanto tudo isso mais parece um sonho (bem que poderia ser verdade), apresento a forma mais tangível para a realidade brasileira, que são as redes elétricas aéreas, mas compactas. Qual é a diferença da convencional? Bom, a rede de distribuição convencional usa fios desencapados e espaçados, já a compacta tem todos os fios encapados e próximos.  Essa maior aproximação gera menos problemas com arborização (espaço de poda menor), são mais seguras para o público, e apresentam maior confiabilidade e qualidade no fornecimento de energia. Atualmente a cidade de Maringá, no Paraná, já usa esse sistema compacto em 100% das redes urbanas. Com relação ao custo, a instalação do sistema compacto é um pouco mais cara, mas exige menos manutenção do que a convencional (79,5% de gastos menores).

Copel investe na modernização de suas redes de distribuição com a instalação de redes compactas. Foto: Divulgação Copel

Foto: Divulgação Copel

 

obra_rede_subterranea

Dutos com fios elétricos em rede subterrânea. Fonte: LT Sul Construções Elétricas

Bibliografia:

-Análise Comparativa dos custos de diferentes redes de destruição de energia elétrica no contexto de arborização urbana. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rarv/v30n4/31690

-Arborização viária X Sistemas de distribuição de energia elétrica: Avaliação de custos, estudos das podas e levantamentos fitotécnicos. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rarv/v30n4/31690

-Revista Veja. Brasil, Cidades. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/a-cada-dois-dias-tres-fios-de-alta-tensao-caem-em-sp/

-Celec. Normas Técnicas. Disponível em: http://novoportal.celesc.com.br/portal/images/arquivos/normas-tecnicas/instrucoes-normativas/i3130021.pdf