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Ecoeficiência dos secadores de mãos

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Fonte: Mercado Livre e Época Negócios (Globo).

Toda vez que lavo as mãos no banheiro no Shopping, bate aquela dúvida cruel: Usar o papel ou o secador elétrico? Qual é mais sustentável?

Hoje vamos responder essa questão com um estudo chamado Análise de Ciclo de Vida (ACV) feito por estudantes de Engenharia Ambiental em 2014 junto com a Fundação Espaço Eco (BASF). Mas afinal, o que é esse estudo?

É um estudo que analisa desde o berço do produto, sua retirada no meio ambiente (matéria-prima) até sua morte, quando vai parar na lixeira (depois aterro sanitário) levando em conta todos os efeitos ambientais associados às etapas produtivas (produção, distribuição e consumo). Vamos dar um exemplo: Você compra um caderno escolar. Para fazer o caderno precisou-se de arame, plástico e papel. Nesse processo, derrubaram árvores e extraíram  matéria primas da natureza que gerou consumo de água, energia, liberação de CO2 (gás carbônico), uso da terra, acidentes de trabalho, etc. Esse estudo avalia tudo isso e no final compara dois produtos, mostrando qual é o mais sustentável.

No estudo realizado pelos estudantes, foi avaliado um Shopping Center de grande circulação (800.000 visitantes por mês), e um centro universitário (2.170 alunos matriculados). A partir de uma pesquisa de opinião com 1.350 respostas, 74% preferem toalhas de papel e 26% pelo secador elétrico. É bem verdade que eu prefiro muito mais usar toalha de papel, enxuga melhor que o secador elétrico.

Os resultados mostraram que a secagem de mãos por meio de jato de ar quente de secador elétrico mostra-se mais ecoeficiente na comparação entre as tecnologias apresentadas. Verificou-se também que em locais de grande visitação, a utilização de secador elétrico destaca-se mais econômica. Infografico_Secagem-de-Mãos_OK_1196x1691 (1)

Fonte: Fundação Espaço Eco – BASF

Quer acessar o estudo?

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ANÁLISE DE ECOEFICIÊNCIA

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Um Perigo Silencioso

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Fonte: IdeiaWeb.org

Outro dia ouvi um comentário de meu professor que o cantor Leandro (da dupla Leandro e Leonardo) morreu de tumor devido exposição direta com o uso intensivo de agrotóxicos na plantação de tomates em que trabalhava quando adolescente. Isso se chama efeito mediato, ou seja, os efeitos são manifestados depois de muito tempo de contato. Por esse motivo que titulei este artigo de “Um Perigo Silencioso“, um tema importante que merece destaque, porque afinal agrotóxico é um produto que está presente na maioria de nossas refeições (70% dos alimentos).

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Para ter uma ideia da dimensão, o consumo de agrotóxicos no Rio de Janeiro aumentou 5.000% em três anos (FIOCRUZ). O grande problema nessa questão, além do uso indiscriminado e sem controle, são os ingredientes usados na aplicação, dos quais 55 mais utilizados no Brasil, 22 são proibidos na União Europeia. Há um tipo de herbicida largamente usado nas lavouras de soja, chamado Glifosato que foi estudado por uma pesquisadora norte-americana do MIT. Esse estudo revelou que até 2025, uma a cada duas crianças nascerá autista (El País).

Os agricultores são os mais vulneráveis quando se fala em agrotóxicos, pois eles estão expostos diretamente com os produtos. Conforme dados da SINITOX (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – Ministério da Saúde/FIOCRUZ), entre os anos de 1999 a 2009, 1 pessoa a cada 90 minutos foi intoxicada por agrotóxicos no país. Infelizmente, não há um número preciso de notificações em razão da dificuldade dos profissionais de saúde e de atendimento assistencial e psicossocial não sabem ou não conseguem lidar com situações de intoxicação ocupacional. (Claudio Silva para FioCruz).

Esse cenário é agravado pela falta de percepção de riscos pelo trabalhador no uso de agrotóxicos em que muitas vezes são chamados caridosamente como defensivo agrícola, remédio, tratamento, etc. Nota-se também que há certo machismo nessa área, trabalhadores são chamados de fracos quando sentem algum desconforto na hora da aplicação (dores de cabeça, vômitos..). Quando o risco é “invisível” aos olhos, a percepção fica ainda mais fragilizada. Por exemplo, o uso de roupas de trabalho ou EPIs (equipamentos de proteção individuais) também parece estar bastante relacionado à percepção do risco e pode chegar a ser incorporado por hábito cultural para enfrentar riscos cotidianos (ex. uso do chapéu para proteger-se do sol). Quando o risco é fácil e prontamente perceptível, roupas especiais de trabalho são facilmente usadas como é o caso dos vaqueiros, que chegam a utilizar calças bem grossas mais montar (GARCIA, E.).

A NR-31 (Segurança e Saúde no trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura) veio assegurar a saúde e segurança do trabalhador no meio rural. No item 31.3.3 cita as obrigações do empregador rural. Dentre as mais importantes, temos:

a) realizar avaliações dos riscos para a segurança e a saúde dos trabalhadores e, com base nos resultados obtidos, adotar as medidas de prevenção e proteção adequadas;

b) assegurar que sejam fornecidas aos trabalhadores instruções compreensíveis em matéria de segurança e saúde, bem como toda orientação e supervisão necessárias ao trabalho seguro;

d) adotar medidas de avaliação e gestão dos riscos, com a seguinte ordem de prioridade: eliminação dos riscos, controle de riscos na fonte, redução do risco ao mínimo, inclusive através de capacitação;

e) adoção de medidas de proteção pessoal, no caso de persistirem os riscos.

Nesta norma regulamentadora, fica claro a preocupação com a eliminação dos riscos como sendo prioridade, não só com a utilização do EPI, mas também em relação à ergonomia, fatores climáticos e topográficos e água potável.

Sobre a utilização dos EPIs, um artigo da revista Cipa (ano 38, n. 438) afirma que a utilização desses equipamentos pelos trabalhadores expostos a agrotóxicos é muito efetiva nas médias e grandes propriedades agrícolas, porém é um grande desafio em pequenas propriedades, pois se limita às condições financeiras e à falta de informação.

Nesta mesma norma, foi estipulado o SESTR (serviço especializado em segurança e saúde no trabalho rural) para os empregadores com mais de 50 funcionários, não atingindo o pequeno agricultor.

Outra questão é sobre a receita agronômica, no qual é obrigatória na compra de agrotóxicos e é feita por profissional legalmente habilitado. Nela, o profissional agrônomo faz prescrição com as recomendações de uso de EPI, porém não está em acordo com suas atribuições.

Por fim, minha mensagem a nós consumidores é que fiquemos mais atentos aos efeitos acumulativos dos alimentos contendo agrotóxicos; aos governantes e ministérios do trabalho, saúde e agricultura que fiscalizem mais as propriedades agrícolas, cobrem os produtores pela administração correta e segura desses produtos, assegure a segurança dos trabalhadores e não dê incentivos fiscais à produção e comercialização de pesticidas; empregadores zelem pela segurança e saúde de seus trabalhadores, eles merecem ter uma vida sadia e digna.

Recomendo assistir ao documentário “O Veneno está na mesa II” dirigido por Silvio Tendler. Esse documentário atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional atual e de suas consequências para a saúde pública. LINK: https://www.youtube.com/watch?v=fyvoKljtvG4

Referências:

GUIVANT, J.S. Percepção dos Olericutores da Grande Florianópolis (SC) sobre os riscos decorrentes do uso de agrotóxicos. Rev. Bras. Saúde Ocup. 22, 1994.

http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/o-desafio-de-se-comprovar-na-justica-intoxicacao-por-agrotoxicos

http://www.cartacapital.com.br/sustentabilidade/brasil-ainda-usa-agrotoxicos-ja-proibidos-em-outros-paises-9823.html

BRASIL. Ministério da Saúde. FIOCRUZ. SINITOX. http://www.fiocruz.br/sinitox_novo/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home

http://www.icict.fiocruz.br/content/consumo-intensivo-de-agrot%C3%B3xicos-no-rio-de-janeiro-revela-cen%C3%A1rio-de-intoxica%C3%A7%C3%B5es-

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/29/politica/1430321822_851653.html

GARCIA, Eduardo. Segurança e Saúde no Trabalho rural com agrotóxicos. Contribuição para uma abordagem mais abrangente. USP, 1996. Disponível em: file:///C:/Users/NOTEBOOK/Downloads/dissert_agrotox_Eduardo_Garcia.pdf.

NR-31. Disponível em: http://acesso.mte.gov.br/data/files/8A7C816A4295EFDF0143067D95BD746A/NR-31%20(atualizada%202013).pdf.

Engenheira Ambiental e pós-graduanda em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo Centro Universitário FEI São Paulo.

 

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Duas horas faz diferença?

eyes-and-business-10Faz uma semana que foi comemorado o dia do trabalhador e eu não poderia deixar de comentar sobre esse dia tão especial em nossas vidas (é no trabalho que passamos a maior parte do tempo). É o marco de nossas conquistas como trabalhadores, que antes tínhamos uma jornada exaustiva, de 10 a 12 horas diárias, e hoje com 44 horas semanais, temos mais tempo livre para dedicarmos aos nossos hobbies e atividades que dão prazer.

Porém, infelizmente, o Brasil é o quarto país do mundo com mais acidentes de trabalho registrados (Associação de magistrados da justiça do trabalho da primeira região – AMATRA1) só perdendo para a China, Índia e Indonésia.

Hoje quero falar sobre a relação de horas extraordinárias e índice de acidentes de trabalho. Será que quanto mais horas trabalhadas, maior a chance de acontecer um acidente de trabalho? Parece-me um pouco óbvio, entretanto, queria ir mais a fundo e ter dados consistentes e confiáveis para embasar tal argumento.

Um trabalho de Anna Dahlgren da universidade de Estocolmo, na Suécia, relaciona longas horas de trabalho com níveis de stress. Essa alteração psicológica é associada a um aumento da vulnerabilidade de doenças como diabetes e aumento de enfarto do miocárdio. Pode também aumentar a fadiga e diminuir o desempenho no trabalho. Maria José Giannella Cataldi indicou na coletânea do fórum de saúde e segurança no trabalho do estado de Goiás em 2013 que em uma pesquisa recente patrocinada pela ISMA (Internation Stress Management Association), demonstrou que ocupamos o segundo lugar em número de trabalhadores acometidos pela “Síndrome de Burnout“ entre os países Israel, Japão, China, Hong Kong, Fiji e Brasil.

Esses fatores de stress e fadiga provocados pelas longas jornadas podem levar a acidentes de trabalho. Diversos estudos foram feitos para avaliar essa relação, porém muitos continuam incompletos e equívocos. O motivo deve-se pelas deficiências na metodologia, poucas amostras realizadas, generalizações de evidências encontradas na indústria (circunstâncias específicas de cada ramo), e por fim, falhas em contabilizar levando em conta diferentes características dos indivíduos (idade, gênero e status de saúde).

Um estudo conduzido pela Universidade de Massachusetts em 2005, evidenciou o impacto das horas extras e longas jornadas de trabalho em lesões e doenças ocupacionais em 110.236 mil trabalhadores Americanos em 13 anos. Essa pesquisa analisou a associação entre o cronograma da extensão da jornada de trabalho e a incidência de acidentes de trabalho relatados, ajustando a influência das diversas características, como idade, gênero, ocupação, setor da indústria, e região geográfica. Além dessas variações, há também outros fatores do trabalho em si (intensidade e exposição aos perigos) e fatores organizacionais (política de horas extras e supervisão).

Os resultados do estudo mostraram que trabalhadores com horas extras têm 61% mais chance de sofrer um acidente de trabalho do que aqueles que não trabalham mais do que o horário normal. Trabalhadores com cronogramas extensos (maiores de 12 horas por dia e 60 horas por semana) têm maiores chances de desenvolver lesões ou doenças ocupacionais.

Outras análises multivariadas indicaram que o aumento dos riscos não foi apenas o resultado dos exigentes horários de trabalho sendo concentrados e inerentes às atividades de trabalho ou indústria consideradas mais arriscadas.

Estes resultados são mais consistentes com a hipótese que longos períodos de trabalho indiretamente propiciam acidentes no ambiente de trabalho induzidos pela fatiga ou stress dos trabalhadores.

Nossa legislação trabalhista (CLT) determina períodos de descanso no turno (intrajornadas e interjornadas), repousos semanais e anuais que devem ser cumpridas pelos empregadores. A duração normal de trabalho pode ser acrescida de no máximo, 02 horas extras diárias com adicional de remuneração de 50% para os dias úteis e 100% nos domingos e feriados. Na prática, os empregadores abusam desses extras e os empregados contam com isso também, pois precisam desse extra no final do mês.

Além das pausas, é importante o rodízio entre os postos de trabalho para assegurar a saúde dos trabalhadores e minimização dos riscos. Temos que pensar nessas questões para evitar acidentes de trabalho ocorram em nossos ambientes de trabalho e para que comemoremos nosso dia do trabalho com muita alegria!

Referências:

CATALDI, Maria José Giannella. Stress e fadiga mental no âmbito do trabalho. Palestra. In: I Congresso Internacional sobre Saúde Mental no Trabalho. Goiânia: Instituto Goiano de Direito de Direito do Trabalho, 2004. Disponível em: https://www.passeidireto.com/arquivo/6651449/livro-saude-mental-no-trabalho/3

DAHLGREN, Anna. Work Stress and Overtime Work – Effects on Cortisol, Sleep, Sleepiness, and Health. Department of Psychology. Stockholm University. Disponível em: http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:189939/FULLTEXT01.pdfAnna

Agência Brasil. Brasil é quarto no mundo em acidentes de trabalho, alertam juízes. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-e-quarto-do-mundo-em-acidentes-de-trabalho-alertam-juizes

A E DembeJ B Erickson;R G DelbosS M Banks. The impact of overtime and long work hours on occupational injuries and illnesses: new evidence from the United States. Disponível em: http://oem.bmj.com/content/62/9/588.full

Jeniffer Felicio Abegao

Engenheira Ambiental e pós-graduanda em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo Centro Universitário FEI São Paulo.